Casa dos Contos Eróticos

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Meu anjo mau

Categoria: Heterossexual
Data: 08/10/2013 19:31:24
Nota 10.00
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Nunca gostei de computador. Não conheci o mIRC, não tive ICQ e nem ficava horas confabulando no MSN. Bate papo só funcionava se fosse ao vivo. Gostava de sentir as pessoas, olhar nos olhos, abraçar e beijar. Nada disso funciona se há uma tela entre você e a outra pessoa, pensava eu.

E foi olhando nos olhos que eu me apaixonei pelo Marcos. E também foi olhando nos olhos que ele disse "Cansei! Não quero mais você, vagabunda!". Depois desse dia eu não queria mais olhos, mãos, bocas e línguas. Não queria mais rasgos, socos, sangue e lágrimas. Não queria mais querer nada.

Mas, sem querer, eu quis conhecer ele. As palavras que eu lia da minha casa, da segurança do meu computador, me empurraram para a sua emboscada. Ela, quero ser essa mulher para você - pensava a cada nova página que abria. A cada novo conto que lia, mais vontade eu tinha. Dele. Em mim. E na ausência dele, eu me tocava. Fechava meus olhos e imaginava "Essa mão é dele, ele que me toca desse jeito, acorda meu desejo maltratado e esquecido". Vagando pelos meus pensamentos eróticos eu passava noites, lendo e gozando. Dormindo e desejando. Até que um dia, cansada de tanto me ter, escrevi pra ele.

Enquanto escrevia o primeiro e-mail minhas mãos tremiam e somente pensava em revelar a ele todos os meus desejos. Em cada palavra fazia questão de expressar o meu desejo. Narrava minuciosamente cada sentimento, cada arrepio, cada revirar de olhos. Todas as situações que eu imaginara agora estavam descritas de uma forma sensual. Tudo para provoca-lo e fazer com que meus desejos se tornassem dele também. Uns dias depois recebi a resposta.

"Fico feliz que tenha gostado dos meus contos e mais feliz ainda por ter passado algumas noites me desejando, gozando pra mim e por mim. Quero conhecer melhor você... Pode escrever um conto pensando em mim?"

Não precisei pensar muito para escrever meu primeiro conto. Já tinha vivido ele várias vezes na minha mente e no meu corpo. E ele sempre foi meu companheiro. Sentei e escrevi sem parar cada detalhe do nosso primeiro encontro. Como ele estava vestido, como marcamos, o local, o tempo, minha roupa, minha ansiedade, como ele me olhou, como me despiu e como passamos a noite aproveitando nossos corpos nus e suados. Descrevi intensamente meus orgasmos. E gozei de novo escrevendo pra ele. E mais uma vez antes de terminar o conto. E depois enviei.

Sua resposta não demorou. Ele estava extasiado com as minhas palavras, o tesão se tornava incontrolável. Nossos corpos pediam pela presença do outro. Os dias não passavam e o desejo se tornava quase uma angústia, aliviada somente pelo prazer que ele trazia para mim em seus e-mails e mensagens. Já não conseguia pensar em outra coisa por semanas, somente em estar com ele. E, dominada por este desejo, disquei sem pensar nas consequências. Meu corpo tremia, minha boca estava seca. Me sentia uma adolescente pensando que seria melhor se ele não atendesse, mas tudo que eu queria era ouvir a sua voz.

- AlôAlô.

- Ah, oi...

- Oi.

- Sou eu, Cecília.

- Eu sei. Como você esta?

- Bem, eu acho.

- O que houve?

- Quero você. Muito.

- Agora?

- Toda hora.

- Daqui a pouco te ligo.

Fiquei ouvindo o tu tu tu; ele desligou mesmo!! Como fui infantil em ligar... Ele escrevia coisas sensuais e me deixava louca de desejo. Nada além disso. Ele escrevia e eu lia. Uma forma moderna e distante de manter uma relação. Não, nada de relação. Meu pensamento vagava possuído de ódio quando meu telefone tocou.

- Adoro saber que eu te deixo molhada e pronta pra mim. Como você esta agora?

- Você desligou!

- Eu estava procurando um lugar mais calmo. Posso te ver pela câmera?

- Agora?

- Toda hora.

Desliguei e chamei novamente com a câmera ligada. Que loucura, pensei. Estou no trabalho, como posso fazer isso? E antes que pudesse ter mais dúvidas, ele apareceu.

- Você me deixa louco. Olha o que você faz comigo.

Virou a câmera e me mostrou seu membro duro e seu sobe e desce de mão.

- Queria estar aí e fazer isso pra você. Te beijar, chupar e até você gozar em mim.

- Onde?

- Você escolhe.

- Adoro a sua boca.

- Estou aqui por você, faça o que quiser.

E assim ele fez. Eroticamente me chamava, descrevia como era gostosa a sensação da minha boca nele e como eu o deixava louco com a minha voz e minhas palavras. Eu olhava aquela imagem com sede e fome dele. E gemia. Meus mais reprimidos desejos estavam sendo libertados ali no meu trabalho. Que loucura, eu pensava.

Nessa loucura nós gozamos. E depois olhamos nossos rostos pela câmera de um telefone. Tão distante, tão perto.

- Longe já é uma delícia, imagina ter você na minha cama.

Eu fiquei muito constrangida.

- Tenho que desligar, estão me procurando.

- Cecília, posso te ligar mais tarde?

- Não sei, depois eu falo com você.

Desliguei com a consciência pesada. Não é muito normal isso! Nenhuma amiga escreve contos nem troca mensagens eróticas com desconhecidos. Ninguém que eu conheço, na verdade... As pessoas levam suas vidas fora da internet e constroem relações reais que machucam, nos fazem chorar, sofrer, ter rotina e muita estabilidade. Nenhum homem pode querer me ter e ficar feliz só em me dar prazer sem me conhecer. Não existe isso.

Passei a semana ignorando as mensagens e ligações dele. Estava disposta a não levar adiante essa insanidade. Foi interessante, mas acabou - pensei. E pensei mais. Tentei me convencer de que não sentia mais a vontade de ter ele em mim. Para não ficar em casa sozinha, saí para beber com o pessoal do trabalho. A cada copo eu me sentia mais quente - e mais sexy. Mais um. Nossa, como tá quente aqui - pensei já tirando o casaco. Mais um. Preciso beijar alguém. Mais um. Preciso de um homem. Mais um. Vou ligar pra ele...

- Cecília.

- Oi. Acho que estou um pouco bêbada... Sinto sua falta. Faz sentido isso?

- Faz. Você está em casa?

- Em um bar com uns amigos.

- Qual?

- Um na Lapa.

- Qual??

- Mistura Carioca.

- Vou te buscar. Me espera.

- Você não mora aqui.

- Me espera.

Desligou e eu ainda fiquei uns minutos falando sozinha. "Mais um, por favor!" Como ele consegue mentir para uma bêbada-tarada? Não se engana alguém nessas condições. Seria melhor ele falar "se vira!" e eu tentaria matar meu desejo com alguém dali mesmo. Mais um. Não tinha reparado como o André era bonito. Será que é mesmo ou é o efeito álcool? Mais um.

- André, vamos dançar?

- E você consegue ficar em pé?

- Se você me segurar bem forte...

- Hummm...

- Vamos?

- Vamos.

Arrisquei alguns passos, mas meus pés pareciam não obedecer. Joguei meus braços nos ombros do André. Acho que eu estava possuída.

- André, eu estou sozinha e com muita vontade de passar uma noite inteira gozando. Você pode me ajudar?

Ele não acreditou mesmo.

- Você esta muito bêbada.

- E qual é o problema?

- Não quero me aproveitar de você.

- Mas eu quero que você se aproveite de mim. Se não for você vou ter que achar outro...

Convencido, ele me beijou. Como é bom beijar alguém de verdade, chega de ficar imaginando tudo.

- Vamos pra minha casa?

- Tem certeza?

- Aham, preciso de você na minha cama. Amanhã te deixo em casa antes do trabalho. Não diga não pra mim...

Beijei-o e senti um desejo crescente. Não por ele. Mas não importava. Ele estava ali e isso teria que bastar.

- Cecília. Eu pedi pra você me esperar.

Virei e ele estava lá.

- Como você chegou aqui?

- Não interessa, vamos embora.

O André não sabia o que fazer. Ficou parado me olhando.

- Ele é seu namorado?

- Não!

- Então vamos embora.

Ele me puxou pelo braço. Peguei minha bolsa e saímos. Não olhei pra trás.

- Vamos pra sua casa. Você consegue lembrar o endereço?

- Claro!

Estava muito irritada. Entramos em um táxi e em alguns minutos chegamos em casa.

- O que você esta fazendo aqui?

- Vim buscar você. Eu avisei.

- Não, o que você esta fazendo aqui no Rio?

- Trabalho.

- E não me avisou?

- Não.

Como não? Quem ele pensa que é?

- Não quero você aqui, pode ir embora.

- Eu não vou, você sabe.

- Eu não quero você.

- E eu não acredito... Vou ficar e foder você.

Ele avançou na minha direção e me beijou segurando meu rosto com as duas mãos. Eu não consegui levantar meus braços. Ele se afastou e me olhos nos olhos. Depois deu um passo para trás e me olhou da cabeça aos pés.

- Vem comigo.

Ele me levou para o quarto e sentou na cama. Eu estava em pé no meio das pernas dele. Abriu botão por botão da minha camisa e a tirou com calma. Abriu os botões da minha calça e a abaixou. Empurrou meus braços para trás me fazendo dar um passinho. Tirou meus sapatos, pegou a calça e a jogou pro lado. Puxou meus braços e me colocou de novo entre suas pernas. Ele deslizava suas mãos pelo meu corpo todo. Estava de olhos fechados e fazia um som quase que imperceptível. "Pensei nisso tantas vezes, já conheço seu corpo sem nunca ter tocado em você", disse num tom baixo e calmo. Puxou meus joelhos pra cima da cama, um de cada vez, e me fez sentar em seu colo. De frente pra ele. Passei a mão pelos seus cabelos, o abracei com força e o beijei intensamente. Eu já conheço essa boca - pensei derretendo de prazer. Ele tirou meu sutiã e suavemente acomodou um seio em sua boca, enquanto o outro era carinhosamente apertado. Sentia sua crescente pressão contra meu sexo. Não queria mais esperar, não tinha mais motivo para prolongar essa angústia. Empurrei ele para trás e tirei sua calça, seus sapatos e suas meias. A blusa ele abriu e tirou sozinho. Tirei minha calcinha e lentamente montei nele. Desajeitadamente, coloquei a camisinha em seu lugar, conduzi seu membro para dentro de mim e sorri. De felicidade, prazer e satisfação. Olhei para ele e vi o mesmo sorriso. Comecei um sobe e desce com o quadril, uma dança ousada e coreografada. Vai e vem, sobe e desce, rebola. Não queria mais sair dali. Apoiei as mãos ao lado da sua cabeça, abaixei o tronco e o beijei novamente. Dessa vez senti os movimentos da língua dele mais intensos. A ternura e o carinho permaneciam, mas o tesão começava a ditar as ordens. Ele sentou, me levantou no colo e me jogou na cama. Deitou em cima de mim, abriu minhas pernas e me invadiu com habilidade e rapidez. Ele entrava e saía com precisão e sabedoria. Aumentava a força e a rapidez a cada entrada. De repente ele parou, deslizou para baixo e começou a me lamber. Meus seios, minha barriga, minha coxa. Já estava de olhos fechados e mordendo os lábios. Senti sua língua lá, passeando e brincando com meu desejo. Seu dedo entrava e saía. A língua subia e descia. Meu corpo estremeceu. Ele sentiu, levantou rapidamente e me penetrou com força. Gozei e pedi que ele gozasse junto. Mais umas entradas e saídas e ele me acompanhou.

Ficamos deitados por uns minutos em silêncio. Levantamos para beber alguma coisa gelada, estávamos com muito calor. Nossos corpos nus se acharam na cozinha, depois no banho e depois na cama. Dormimos exaustos e felizes. Sonhei a noite toda com ele. Estávamos em uma casa grande e nos tratávamos de forma fria e perigosa. Ele levantou a mão e me bateu. Passei a mão no rosto e vi sangue em meus dedos. Ele estava em pé rindo e eu no chão. Acordei assustada e ele ainda estava lá. Levantei, me vesti, dei um beijo em sua boca, deixei um bilhete na sala e fui trabalhar.

Algumas horas depois recebi um e-mail dele. Não abri.

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