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O filho do patrão. (final 3-3)

Autor: Berg
Categoria: Homossexual
Data: 28/05/2016 04:44:39
Última revisão: 29/01/2017 15:22:31
Nota 10.00
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Estávamos de costas para a porta, quando ouvi pisadas atras da gente. Ouvi barulho de revolver sendo armado.

Alguém encostou uma arma na nuca do Raulino.

- Solta ele, ou estouro seus miolos.

Raulino - calma aí papai. (respondeu Raulino, rindo).

- fala isso pra minha mão. Ela ta cosano.

Raulino - vamos devagar, eu não tenho nada a perder.

- Eu também não. Quer apostar?

Até aquele momento eu continuava de costas para a porta, mas sabia que aquela voz, inconfundível era do Antonio.

Antonio - Bora meu irmão. (Antonio, falava aos gritos). Minha paciência acabou. Coloca a arma no chão devagar e apoia as mão atras da nuca.

Raulino obedeceu, mas em nenhum momento deixou de rir daquela situação.

Antonio - TODOS! ( disse Antonio, seriamente).

Raulino - vocês ouviram o engomadinho aí.

Após todos colocarem suas armas no chão, o grupo de Raulino foi imobilizado.

Pedro - Antonio?

Antonio - o que tu tava pensando em fazer, Pedro? Por que não me chamou?

Pedro - eu achei que você não iria topar.

Antonio - E não iria mesmo, isso é loucura, agora mesmo você poderia estar morto.

Pedro - mas eu tinha que fazer, Antonio. Pelo meu pai.

Vitor nos interrompeu.

Vitor - Pedro?

Pedro - Oi Vitor.

Vitor - Acabei de ouvir a gravação.

Pedro - e aí? (perguntei ansioso)

Vitor não fez suspense.

Vitor - O áudio esta perfeito.

Pedro - e a parte que ele assume a autoria de tudo?

Vitor - Gravou também.

Pedro - que beleza, cara. E agora o que faremos?

Antonio - agora o Vitor vai chamar a policia, e eu vou leva-lo em casa. (disse Antonio nos interrompendo).

Pedro - Não Antonio, eu quero ficar, quero ver a policia chegar, quero ver o Raulino sendo algemado.

Vitor - O resto você pode deixar comigo, Pedro. Antonio tem razão, é melhor você ir pra casa e descansar.

Pedro - Mas dai eu vou perder a melhor cena.

Antonio - então tudo bem, Pedro, você fica, eu já estou indo. (disse ele guardando a arma no bolso).

Pedro - Não Antonio. Eu vou com você. Vitor Você me mantem informado?

Vitor - pode deixar, Pedro.

Pedro - Obrigado.

Saí daquele quarto, e pude respirar aliviado.

Pedro - Antonio, como você descobriu que eu estaria aqui? (perguntei enquanto andávamos pelos corredores daquele hotel).

Antonio - tenho meus contatos. (disse ele andando apresadamente).

Pedro - quem são esses contatos? (falei, tentando acompanhar suas passadas).

Antonio - Isso não vem ao caso, agora. O que eu queria mesmo saber, é onde está o outro. (disse ele me encarando seriamente).

Pedro - que outro? (Me fiz de desentendido).

Antonio - Você sabe bem de quem estou falando.

Fingi-me de mudo.

Assim que chegamos a parte da frente do hotel, avistamos o carro que Antonio usava, era o mesmo de quando saiu da minha casa.

Antonio - então Pedro? (perguntou Antonio colocando o cinto de segurança).

Pedro - então o que Antonio? (falei colocando, também, o cinto de segurança).

Antonio - não vai falar aonde esta o outro?

Pedro - eu não sei pra onde ele foi. (falei abaixando a cabeça).

Antonio antes de dar partida no carro me encarou por um tempo.

Antonio - você gosta dele não é?

Não hesitei em responder.

Pedro - eu não tenho certeza, Antonio, mas eu não quero que ele vá presso. Eu acredito que ele é inocente nessa historia toda.

Antonio puxou meu rosto, delicadamente, com suas mãos.

Antonio - ele não é inocente, Pedro. (disse ele calmamente). E você sabe disso.

Pedro - e se ele tiver arrependido?

Antonio - isso não apaga o passado de crimes dele.

Pedro - mas eu não ligo.

Antonio - eu não estou falando de sentimentos, Pedro, estou falando de Justiça.

Pedro - O cara foi baleado, quase morreu hospital, e agora só Deus sabe por onde ele esta andando, sem casa, sem comida, sem nada. Você não acha que ele já tenha pagado pelos erros que cometeu?

Antonio fechou a cara, e enfim deu partida no carro.

Pedro - E tem mais, o único crime dele foi ter me sequestrado.

Antonio - você ta cego, Pedro. (dizia ele ao volante). Você ta cego e não percebe.

Pedro - Não estou cego, Antonio, mas sejamos realistas: o que ganhamos com a prisão do Junior?

Antonio - Justiça, ou você esqueceu que seu pai esta na uti de um hospital?

Pedro - eu não esqueci, Antonio. Não esqueço disso a nenhum instante. Mas por que não deixamos meu pai decidir após sair do hospital?

Antonio - Tudo bem, Pedro. Você quem sabe.

Depois disso um silencio monstruoso invadiu nosso veiculo.

xxxXX

Pedro - você mudou comigo, Antonio, o que eu ti fiz? (falei, puxando assunto, depois de algum tempo).

Antonio apenas me encarou, mas nada respondeu.

xxXXX

Finalmente chegamos em casa. Subi a meu quarto, e entrei no banheiro para banhar-me. Vitor me ligou e disse que a operação havia sido um sucesso; comemorei; troquei de roupa, e imediatamente desci as escadas, chamando pelo Antonio.

xxXXX

Naná - que euforia toda é essa? (Naná aparecera na sala de estar).

Pedro - as pessoas que tanto fizeram mal a meu pai, e a mim, foram presas, agora falta pouco para que sejam condenadas.

Naná - Pedrinho, me explica essa historia direito. Quem são essas pessoas?

Pedro - é uma longa historia Naná. Cade o Antonio?

Naná - Já foi. (disse ela desanimada).

Pedro - foi pra onde? (fiz cara de decepção).

Naná - pra casa dele horas.

Pedro - como assim pra casa dele? Ele não disse nada, antes de ir?

Naná - não! Apenas me pediu pra eu entregar isso a você.

A mulher esticou o braço, me entregando alguns objetos.

Pedro - o que é isso?

Naná - a chave do carro, o crachá e a carteira de trabalho dele.

Pedro - eu sei Naná, mas o que isso significa?

Naná - Eu entendi que o Antonio esta pedindo as contas, por que você não liga e conversa com ele?

Estava digerindo aquela informação, e acabei não respondendo a Naná.

Naná - Hey. (disse ela passando a mão na frente dos meus olhos).

Pedro - Oi. (falei despertando).

Naná - Ta dormindo?

Pedro - pensando.

Naná - por que você não liga pra ele, e conversa?

Pedro - pro Antonio?

Naná - sim.

Pedro - vou fazer isso.

Subi as escadas, desanimado.

Cheguei a meu quarto, peguei meu celular, e disquei o número do Antonio.

****

- sua chamada esta sendo encaminhada para a caixa postal.

*****

Fiz uma segunda tentativa.

****

Sua chamada esta sendo encaminhada para a caixa postal.

*****

Arremessei o celular encima da cama e deitei em seguida.

Estava com sono, sentia meu corpo cansado, mas eu precisava ir ao hospital visitar meu pai, e no mesmo dia iria ate a casa de Antonio.

xxxXXX

Pedi para um dos seguranças que estavam de serviço, me levar, já que o Antonio havia supostamente pedido as contas, e Vitor ainda não retornara.

xxXXX

chegando ao hospital, me identifiquei na recepção e a moça me encaminhou ate a unidade de terapia intensiva. Lá chegando tive uma terrível surpresa, meu pai não, mais, se encontrava.

xxxxXXX

Pedro - Cade meu pai? (perguntei a enfermeira de plantão).

- Qual o nome completo dele? (perguntou a moça).

Passei de imediato.

Depois de buscar informações com o médico, e moça retornou a meu encontro.

Pedro - e aí? (falei com ela ainda, a caminho).

A moça se aproximou:

- Seu pai saiu do cti, ele esta em um apartamento.

Pedro - isso quer dizer que...

Enfermeira - que ele teve uma melhora brusca. (disse ela, interrompendo meu raciocínio).

Pedro - você ta falando serio?

Um misto de sorriso e lágrimas invadiram meu rosto.

Pedro - aonde eu posso ver meu pai?

A moça me deu o número do quarto, e eu, literalmente corri ate la.

Assim que abri a porta, meu pai estava sendo examinado por dois profissionais.

- eu sou filo dele. (falei antes que me expulsassem do quarto).

Meu pai dormia tranquilamente.

Pedro - como ele esta? (perguntei).

- se recuperando. (falou um dos médicos). Ele esta reagindo bem. Já respira sem ajuda dos aparelhos. Já consegue identificar o que tem ao seu redor. Posso arriscar que em pouco tempo, ele voltara pra casa.

Pedro - enfim uma noticia boa! (exclamei).

xxxXX

Na volta pra casa, o ar parecia estar mais limpo, mas eu ainda tinha que resolver a situação do Antonio, iria convence-lo a voltar ao emprego.

xxxXX

Bati palmas em frente a sua casa, já que não possuía campainha.

Antonio veio me atender, apenas com uma calça jeans de zíper aberto, e seu filho nos braços.

Antonio - Pedro? O que você ta fazendo aqui?

Pedro - posso entrar pra conversar?

Antonio abriu, totalmente, o portão, deixando um espaço para que eu entrasse em sua residencia.

Antonio - não repara, aqui é tudo bem simples.

Pedro - que nada. Tua casa é bastante agradável. E esse garotão aí?

Antonio - é o orgulho do papai. (disse Antonio dando um cheiro no cangote do pequeno).

Caminhamos um pequeno pedaço, e enfim chegamos a porta da residencia.

Antonio - entra.

Passei na frente do anfitrião da casa.

Pedro - e tua esposa? (perguntei sentando no sofá).

Antonio - fazendo o jantar.

Pedro - certo.

De tão nervoso que eu estava, minhas mãos se aqueciam, e eu nem dava fé.

Pedro - A Naná me entregou alguns pertences teu. E eu não entendi bem. Tu ta saindo lá de casa?

Antonio - Eu vou abrir uma lojinha pra mim.

Pedro - lojinha de que?

Antonio - uma floricultura.

Pedro - Antonio, desculpa minha sinceridade, mas eu não consigo te imaginar vendendo flores.

Antonio - nem eu patrãozinho, nem eu. (disse ele sorrindo, e o filho correspondeu).

Pedro - então por que isso agora?

Antonio - a floricultura é da minha esposa; é um sonho antigo dela.

Pedro - agora ta fazendo mais sentido. Mas então você vai precisar trabalhar bem mais para poder investir.

Antonio - já tenho o suficiente.

Pedro - podemos ti fazer uma proposta melhor.

Antonio - eu não quero Pedrinho. Vou seguir o teus conselhos e me dedicar mais a minha família.

Pedro - esquece meus conselhos.

Antonio sorriu.

Por um momento ver Antonio, sorrindo com seu filho nos braços, me fez ver o quanto egoísta eu estava sendo. Antonio dedicou parte de sua vida a mim e minha família. Era justo que agora ele vivencia-se quão bom era ver o filho crescer.

Pedro - Antonio, sabe de uma coisa?

Antonio - diz.

Pedro - vou investir na tua floricultura.

Antonio - não precisa, Pedrinho. Como falei, já tenho o suficiente.

Pedro - teu filho tem alguma poupança no nome dele?

Antonio olhou para o rosto do garoto.

- Ainda não. (disse ele o encarando).

Pedro - então com o dinheiro que você iria investir na sua empresa, abre uma poupança pra ele.

Antonio - não carece, Pedrinho, de verdade.

Pedro - Aceita Antonio. É um agradecimento por tudo o que você fez por mim.

Antonio corou, abaixou a cabeça e achei que ele fosse chorar.

Antonio - Filhão. Vai lá pra onde ta a mamãe, e ver se o jantar já esta pronto. (ele se comunicava com a criança).

Antonio colocou o garoto no chão, e este saiu correndo pelo corredor da pequena casa.

Antonio - eu aceito, mas com uma condição. (disse ele me encarando).

Pedro - qual?

Antonio - que quando minha empresa estiver dando lucros, você aceite a devolução do valor que investir nela.

Pedro - fechado. Sua empresa já é um sucesso.

Antonio - Deus te ouça, patrãozinho. (disse Antonio, olhando para o alto).

Pedro - vou sentir falta disso.

Antonio - de que?

Pedro - você me chamando de patrãozinho.

Antonio sorriu.

- Você vai ser sempre meu patrãozinho.

Eu iria chorar se não saísse dali o mais rápido possível.

Pedro - ah! Esqueci de falar.

Antonio - então fala.

Pedro - meu pai saiu da uti. (falei entrando em êxtase).

Antonio - Isso que é uma ótima noticia. Mas eu já sabia.

Pedro - como sabia? Quem te contou?

Antonio - eu sempre estive ao lado do teu pai, Pedrinho. Lembra que eu pedi para cuidar dele, ate que estivesse recuperado?

Pedro - lembro sim. E por que você não me contou nada sobre a recuperação dele?

Antonio - eu não queria estragar a surpresa. (disse ele rindo).

Peguei uma almofada que estava a meu lado, e arremessei em Antonio.

Pedro - Agora eu tenho que ir. (falei me levantando).

Antonio - ta cedo. Fica pra jantar conosco.

Pedro - Fica pra próxima. Tenho mesmo que ir.

Antonio - Pena. Eu te levo la fora então.

Pedro - beleza.

Antonio me acompanhou, e ali eu vivia meus últimos momentos com meu eterno guarda costas.

Já no portão, eu não consegui segurar a emoção.

Pedro - eu queria um abraço teu. (falei começando a chorar).

Antonio - não chora, patrãozinho. (disse ele me puxando para um abraço).

Pedro - eu vou sentir tanto tua falta. (falei molhando seu ombro).

Antonio - eu também. Você me devolveu a vida. (cochichou ele em meu ouvido).

Passei a mão por sua careca e lhe encarei nos olhos.

Pedro - Se cuida cara e cuida da tua família. Eles são lindos.

Antonio - pode deixar. (disse ele deixando escapar uma lágrima).

Pedro - boa noite.

Antonio - boa noite.

Atravessei o portão, e Antonio me puxou para dentro novamente.

Antonio - me deixa fazer algo que ha tempos eu venho sonhando?

Apenas balancei a cabeça em conformidade.

Antonio aproximou sua cabeça da minha, e eu senti seu halito quente. Meu coração acelerou, era como se naquele momento eu fosse um adolescente de 12 anos.

Antonio encostou seus lábios nos meus, e me deu um selinho.

Eu sorri: um sorriso tímido, e amarelado.

Antonio - Boa sorte Pedrinho.

Pedro - igualmente.

Acenei para Antonio, e entrei no carro.

xxXXX

O tempo passou.

Eu fizera 18 anos, e me sentia independente.

xxxXXX

Parabéns cara. (disse Elvis).

Pedro - obrigado.

Era estranho não ter Elvis como inimigo.

Elvis - e a carteira?

Pedro - semana que vem é minha prova pratica; Tou confiante que vou passar.

Elvis - claro que vai pô. Tu já dirige bem pra porra. Só tem que entrar no carro, e cumprir o procedimento.

Pedro - que assim seja. (falei sorrindo).

Noah - olha a caipirinha saindo. (disse ele com vários copos em uma bandeja).

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Meu pai havia saído do hospital, e com ajuda de profissionais da saúde, estava cada dia melhor. Mesmo assim eu preferi não fazer festa de aniversario grande. Para não deixar passar a data batida, meu pai me aconselhou a fazer um jantar, e chamar os amigos mais chegados.

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Peguei uma taça de caipirinha.

Pedro - você quem fez?

Noah - logicamente. (disse ele se gabando). Prova e diz o que achou.

Tomei um gole da caipirinha e fingi estar engasgado.

Noah - ta tão ruim assim? (perguntou ele).

Pedro - zuando pô. Ta uma delicia. Não ta Elvis?

Elvis - Ooooo! (disse Elvis fazendo careta).

Nós rimos.

Elvis - Pedro, me diz uma coisa.

Pedro - pergunta.

Elvis - e o Kevin, o que aconteceu com ele?

Pedro - Deve ta na Bolívia.

Elvis - estou falando serio.

Pedro - eu também.

Elvis - que loucura. Que porra aquele bicho foi fazer na Bolívia?

Pedro - Não faço a menor ideia.

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Na realidade eu fazia sim. Meu pai tinha dado uma grana alta para o Kevin, e havia instruído a ele que deixasse a cidade, mas o cara foi tão mané que entendeu o País, e partiu pra Bolívia.

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Elvis - saquei. E tu ta namorando alguém?

Pedro - não mano. Nem penso nisso.

Elvis - entendi. (disse Elvis meio envergonhado).

xxXXXX

Um Mês após a formatura do ensino médio, meu pai viu a necessidade de contratar novos seguranças.

Pedro - pra que isso pai? (questionei)

Já que Raulino e sua turma estavam presos, não tinha com o que se preocupar.

Pai - Alguns seguranças estão deixando o emprego. Temos que preencher as vagas.

Pedro - quais seguranças?

Pai - o Vitor por exemplo é um.

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Depois do atentado, meu pai não era mais o mesmo. Ele havia ficado com algumas sequelas, e devido a isso já não comandava mais a empresa.

No dia do julgamento dos envolvidos em seu acidente, e em meu sequestro, meu pai esteve presente para ver de perto a viúva de um dos seus melhores amigos.

Após todos terem sido condenados, meu pai ficou mais satisfeito, mesmo sabendo que sua saúde nunca mais seria a mesma.

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Pedro - não sabia que o Vitor iria sair.

Pai - ele passou em um concurso.

Pedro - isso é bom.

Pai - sim, tem mais é que ir mesmo.

Pedro - mas afinal pai, pra que o senhor esta me dizendo que vai contratar mais funcionários? Ainda que eu seja contra, o senhor não vai mudar de ideia mesmo.

Pai - Pedro, meu filho, já esta mais do que na hora de você tomar as decisões aqui em casa.

Pedro - não entendi pai.

Pai - a partir de hoje, você ficar responsável por contratar e demitir nossos funcionários. Você tem minha total autorização.

Pedro - mas pai, eu não sei nem pra onde é que vai fazer isso.

Pai - é simples. Faça uma entrevista, se você achar que a pessoa tem capacidade a contrate; se um dia você achar que a pessoa não esta rendendo, a mande pro olho da rua.

Pedro -creio que não seja tão simples pai.

Pai - Mas não é o trabalho mais complicado. Você vai gostar.(disse meu pai, me dando tapinhas nas costas).

Pedro - não sei não pai. (falei indeciso).

Pai - faça o teste. Hoje mesmo vem vários rapazes interessados na vaga de chofer e segurança.

xxxXXXX

Mesmo sem muito concordar, eu resolvi arriscar, e a tarde estava eu no escritório do meu pai, entrevistando alguns supostos interessados nas vagas disponiveis.

xxxXX

- Manda entrar o próximo, Naná. (disse eu após vários candidatos sem habilidades, segundo o meu critério).

Naná - mas como é que pode?

Pedro - o que? (perguntei sem entender).

Naná - depois que tu sentou aí nessa cadeira só que ser o cu de rapadura.

Me espoquei de rir com os modos da Naná.

Naná se retirou do escritório, e depois de uns 2 minutos, mais um candidato entrou.

xxxxXXX

- Bom dia. (o cumprimentei).

O homem nada respondeu. Ele estava bem vestido, todo no social, com óculos escuros, cabelo inteiro no gel.

O homem atravessou o escritório inteiro, chegou ate a mesa onde eu estava, e nela sentou.

Pedro - que brincadeira é essa? (falei serio).

O homem riu, deixando aparecer suas duas covas rasas.

- Falei que eu voltaria. (disse ele tirando os óculos de sua visão).

- Junior? (falei espantado).

Metade de um ano já havia passado, desde que Junior partira.

Junior - sentiu saudades do papai aqui?

Pedro - muita. (falei sorrindo).

Pedro - como você conseguiu entrar aqui?

Junior - pela porta da frente. Não é aqui que estão precisando de segurança?

Pedro - aqui mesmo. (falei sorrindo).

Junior - vim ocupar a vaga.

Pedro - neh bagunçado assim não.

Junior - Não?

Pedro - claro que não. (sorri). Você tem que fazer uma entrevista primeiro.

Junior levantou da mesa e foi ate a porta.

Pedro - o que tu ta fazendo? (perguntei quando vi que ele passara a chave na fechadura).

Junior - me preparando para a entrevista.

Eu ri.

Junior retornou a meu encontro, e começou a desfazer o nó da gravata.

De repente começou a me subir um arrepio.

Junior - qual a primeira pergunta?

Pedro - qual... seu... nome?

Junior jogou a gravata encima da minha mesa.

- Radamés Barcelos Junior. Próxima pergunta. (disse ele desabotoando a camisa).

Pedro - é... é... Caralho. (falei rindo). Ta me fugindo as perguntas. Qual tua idade?

Junior - 22 anos.

Eu fingia que anotava algo em um papel.

Junior tirou o cinto lentamente.

Junior - tou te atrapalhando?

eu engoli a seco.

Junior tirou os sapatos, e por fim abriu o zíper da calça. Em seguida me deu um abraço e eu pude sentir seu corpo quente.

- Ta contratado. (falei).

Junior parou com o rosto na frente do meu, e beijou minha boca calmamente.

- tava com saudade de tu cara. (disse ele, segurando meu rosto).

Pedro - eu também.

Junior - tava nada. (falou ele rindo). Se tivesse teria ido me visitar.

Pedro - como, se eu não fazia nem ideia de onde você estava.

Junior - nem passou pela sua cabeça?

Pedro - Não... Hey, pera la. Vai dizer que você tava no...

Junior - exatamente. Fiquei esse tempo todo no cativeiro.

Pedro - você é louco.

Junior - necessidade. Tava sem grana. Pra conseguir alugar esse terno tive que fazer umas correrias.

Pedro - que é isso?

Junior - melhor você não saber. (disse ele rindo).

Junior voltou a me beijar.

- Eu passei aqui só pra te dar um oi, mas não posso ficar.

Pedro - achei que você estivesse mesmo procurando empregado.

Junior - não. Vou voltar para onde eu tava.

Pedro - porra Junior. Achei que tivesse vindo pra ficar.

Junior - não posso pô. A vida ta complicada pra mim, não posso aparecer agora.

Pedro - então fica morando aqui pô.

Junior - aqui?

Pedro - é!

Junior - na tua casa?

Pedro - claro, cara.

Junior - e o teu pai?

Pedro - Ainda ta em tempo de vocês conversarem cara. Passar a limpo essa historia.

Junior - não tenho coragem de olhar na cara dele, depois de tudo que eu aprontei. (disse Junior me virando as costas).

Pedro - meu pai não liga pra isso pô. O importante vai ser daqui pra frente.

Junior - e como vai ser daqui pra frente?

Pedro - Você pode ficar trabalhando aqui.

Junior - sera que daria certo?

Pedro - só vai saber se tentar pô.

Junior ficou pensativo.

- eu topo. (disse ele)

Soltei um sorriso largo.

Junior começou a me beijar, e apenas de cueca, me jogou no tapete do escritório.

Minhas mãos passeavam por suas costas largas. Junior soltava leves gemidos.

Com a ajuda de Junior eu acabei ficando apenas de cueca, também.

Junior - Você é lindo cara.

Meu rosto ficou quente.

Pedro - Você também é. (falei quase cochichando).

Depois de um tempo no chão me beijando, Junior me deu uma encarada.

Pedro - o que foi?

Junior - tou com uma duvida.

Pedro - fala.

Junior - eu vou ficar trabalhando aqui com vocês, e comendo o filho do patrão as escondidas?

Eu ri.

Pedro - Eu não sou mais o filho do patrão.

Junior - Não?

Pedro - não!

Junior - então quem você é? (perguntava ele, lambendo meu pescoço).

Pedro - Agora eu sou o patrão.

Junior - então eu vou comer o patrão?

Balancei a cabeça que sim.

Junior sorriu e abaixou a cueca.

Junior - o senhor me autoriza a começar agora?

Pedro - Claro! É uma ordem.

Sorrimos.

Ali começava minha historia de amor com meu sequestrador.

xxxxx

♫♫♫

Há quem diga que quem anda só é melhor

do que ao lado de quem não te quer bem,

O meu coração está cansado de ser torturado e

precisa de alguém...

Vou tomar o caminho mais reto,

vou seguir direto até onde eu quiser...

Vou levar esse amor solitário, tranquilo e na boa até

onde eu puder...

Veja só, eu podia estar ao seu lado,

mas não deu,

Eu não vou ficar aqui parado...

Tô indo pra onde haja sol,

pois o meu coração é meu lar

se você quiser ir,

pode vir já guardei seu lugar...

Vamos viver tudo aquilo que ainda não vivemos,

mais uma chance pro amor

pra salvar o que ainda não perdemos.

♫♫♫♫♫

Comentários

16/08/2016 22:31:34
Gostei muito.
08/06/2016 13:47:12
Bom
29/05/2016 20:40:54
Uau, final surpreendente. Espero que faça uma segunda temporada (ou pelo menos, um capítulo bônus) mostrando o relacionamento dos dois. Um abraço carinhoso, Plutão
29/05/2016 00:42:10
Nossa Estou Tipo OMG!pena que acabou a história foi excelente maravilhosa e fantástica mas acabou não queria que aca ase agr 😞,nem que o autor deixasse a cdc mas temos que fazer escolha né! Quero parabeniza-lo por me proporcionar leitura incríveis e dizer que escreve bem é com a alma. Ao se vá.
28/05/2016 23:45:08
pedro e junior, que amorzinho. sempre soube que eles terminariam juntos, só que assim o nome do conto não teria sentido.. que bom que você deu um jeitinho de arrumar tudo no final, não é? fiquei triste por conta do antônio, que não consumou seu sonho de possuir seu patrãozinho, heuhehe. mas a despedida deles foi muito bonita, talvez tenha sido melhor continuar só um sonho mesmo. gostei muito desse conto. um abraço flw
28/05/2016 20:42:31
final maravilhoso*-*
28/05/2016 20:26:48
Esse fim não tem cara de fim.
28/05/2016 20:10:19
Amei o final. Perfeito 😍, pena que vc vai parar seus contos são ótimos...
28/05/2016 19:55:44
Amei!!!
28/05/2016 17:41:04
OMG que lindo sabia que eles ia ficar juntos nem acredito que acabou :'(
28/05/2016 16:37:31
E ne gostei
28/05/2016 16:37:24
E ne gostei
28/05/2016 16:28:01
Muito bom o final, espero que quando conseguir se aceitar independente de qualquer coisa volte a postar esses contos incríveis que você escreve. Nunca é fácil, mas as pessoas aprendem a lidar com essas situações na vida. Boa sorte pelos novos caminhos em que você venha a trilhar, e, lembre-se você não está sozinho, por mais que pareça...
28/05/2016 15:40:48
MUITO BOM, AMEI! achei que ia rolar algo entre o elvis e o pedro.
28/05/2016 14:54:35
Ai n kkk eu ja to sentindo a tua falta amei esse final o melhor fiquei alegre com o pedro e o junior por mais q o junior tenha feito coisa rui foi o melhor gente o antonio tem uma familia ja amei bjs
28/05/2016 12:29:08
Melhor final.... Não nós abandone (emotion triste). Abracos man
28/05/2016 12:25:20
Adorei o conto! Pensei que Pedro ia ficar com Antônio dps de td!
28/05/2016 11:59:39
Goste! Ah man, não para de postar não. Vou sentir falta dos seus contos
28/05/2016 11:44:55
Caraca que fazer a gente chorar, muito showwww, queria que tivesse rolado algo com o Antônio, mas com o Júnior ta no lucro
28/05/2016 08:48:06
Não gostei desse final!
28/05/2016 08:18:47
Muito, muito, muito bom mesmo. Pena que vc vai parar de postar
28/05/2016 07:43:22
Adoreiii esse final!❤
28/05/2016 07:37:13
Amei.
28/05/2016 07:26:29
Que Legal!! Ainda preferia que ele ficasse com o Antonio....kkkk. bjs vou sentir sua falta

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